3 lições do esporte que transformam sua vida profissional
Durante muito tempo, o esporte esteve distante da minha rotina. A última lembrança que tenho de competir foi no ensino fundamental, e mesmo assim, apenas por diversão, sem nenhuma busca por conquistas.
Depois disso, vieram mais de 15 anos sem prática regular de atividade física. Basicamente sedentário. Toda minha energia estava voltada para estudos, trabalho e a construção de uma carreira. E não falo isso com pesar: eu gostava. Acreditava que bastava.
Nesse período, a rotina sempre foi um grande empecilho para incluir os exercícios físicos. Eles ocupavam a prateleira mental das coisas que eu “precisava” fazer. Algo que eu começava por obrigação e abandonava assim que encontrava uma boa desculpa racionalizada para justificar a falta de motivação.
Há pouco mais de um ano e meio, algo mudou. Os exercícios passaram a estar a serviço de um objetivo maior que, pra mim, se tornou um verdadeiro gerador de motivação. O “fazer exercícios” se transformou em “praticar um esporte”. E, ao decidir me dedicar a isso, uma série de fatores viabilizou que eu me mantivesse fisicamente em movimento constante.
Nesse processo, percebi que precisava cuidar melhor do meu corpo. Não apenas por estética ou saúde, mas porque intuía que havia ali um aprendizado a ser acessado. Reflexões que há muito tempo eu já trocava com o Thomás Queiroz, professor e atleta campeão de Beach Tennis, o esporte ao qual ele me introduziu.
Comecei por diversão, e em poucos meses já queria evoluir e competir. Procurei o Thomás e propus uma parceria de mentoria entre nossas áreas. Eu contribuía com visão de negócios e psicologia; ele, com a visão esportiva e física.
Desde o início, ele me apresentou um caminho que envolvia constância, preparo físico, alimentação e treinos exigentes. Desconfortável, sim, mas também estimulante. Era evidente que aquilo daria resultado, acompanhado de efeitos colaterais muito positivos para minha vida.
Ainda assim, era muito esforço para uma recompensa que eu ainda não compreendia na prática. Mas decidi confiar no processo. E no Thomás.
Seis meses depois, participei da minha primeira competição. Resultado? Zero vitórias. Mas minha expectativa era baixa, então não foi difícil processar e voltar à rotina: treinos, jogos amistosos, musculação. No campeonato seguinte, passei da fase de grupos. Comecei a sentir a evolução de forma mais rápida, constante e clara. Isso me motivou ainda mais.
Com essa evolução, naturalmente aumentei minhas expectativas. Em seis meses, competi mais três vezes e cheguei às semifinais em todas elas. No último, perdi de virada após ter o jogo praticamente ganho.
Foi nesse momento – de dedicação alta, expectativas elevadas e ausência da conquista final — que surgiu a maior dificuldade: seguir em frente. Dei um tempo. Pensei seriamente em parar de competir e seguir apenas pelo prazer da prática. E foi aí que compreendi, de verdade, a importância de ter alguém ao meu lado. Um mentor no esporte.
Confesso que pensei várias vezes em escrever sobre esse processo, mas queria ter um “final feliz” para contar (uma forma de provar, para mim mesmo, que a jornada havia valido a pena). Depois dessa sequência de “quases”, comecei a refletir sobre tudo que aprendi. Por um convite inesperado, aceitei participar de mais uma competição, com o foco apenas na experiência, sem grandes expectativas quanto ao resultado. E não é que o título veio?
Chego ao fim deste relato com o final feliz que eu desejava e, mas também com a consciência de que os maiores aprendizados vieram das derrotas. Deixo aqui algumas lições que podem, talvez, te servir também.
O que o esporte me lembrou sobre a vida e o meu trabalho
1. A ausência de vitória ensina mais do que a vitória em si.
O treino mais difícil é aquele que vem depois da frustração. É ali que a gente cresce de verdade.
No trabalho, é a mesma coisa. As fases mais desafiadoras (os projetos que não saem como o planejado, as propostas recusadas, os ciclos que se encerram) são justamente os que mais nos fortalecem. Eles revelam a nossa capacidade de resiliência, de análise e de reinvenção. É nesse lugar que a maturidade profissional se constrói.
2. Seu emocional é um diferencial competitivo.
Saber lidar com a própria ansiedade, com a comparação e com o medo de perder é o que separa quem repete ciclos de quem evolui.
A vida profissional exige esse mesmo tipo de preparo interno. Você pode ter as competências técnicas, mas se não souber gerenciar suas emoções, dificilmente terá consistência. Profissionais que aprendem a se observar, se regular e se posicionar emocionalmente de forma madura constroem carreiras mais sólidas e sustentáveis.
3. Constância vence a intensidade.
Grandes transformações não acontecem da noite para o dia. Elas são fruto de um processo silencioso, sustentado por presença, orientação e entrega.
No mundo dos negócios, essa lógica se repete. Não é a ação grandiosa de um único dia que transforma uma trajetória, mas o esforço contínuo, mesmo nos dias sem brilho. Mentoria, acompanhamento e pequenas decisões consistentes geram resultados que só aparecem lá na frente — mas aparecem. E, quando aparecem, fazem sentido.