5 de dezembro de 2025

O mito da utilidade

 

Depois de uma palestra, um rapaz se aproximou com uma pergunta que ficou ressoando:

“Como transformar o que não serve para nada em algo útil?”

Aparentemente simples.

Mas logo percebi que não falávamos de objetos — falávamos dele.

Da sensação de não caber em ambientes que só valorizam quem produz, entrega e performa do jeito “esperado”.

Essa conversa me acompanhou.

E, por coincidência ou sincronicidade, no dia seguinte li um trecho do Paulo Coelho que tocou fundo:

“Não tente ser útil. Tente ser você.”


Vivemos em um contexto que mede pessoas por funcionalidade: números, metas, resultados imediatos.

E, nesse cenário, quem foge do padrão é rotulado como “sem utilidade”.

Isso machuca.

E, principalmente, não é verdade.

A cobrança por ser útil o tempo todo gera um impacto silencioso: cria a impressão de que valor só existe quando há desempenho visível.

Muitos carregam esse peso como se fosse falha pessoal — quando, na verdade, é apenas uma régua externa estreita demais para medir um ser humano.

O valor de alguém não está no que produz de forma mensurável.

Ele nasce da forma como existe no mundo.

Do que sente.

Do que percebe.

Do que inspira.

Do que transforma apenas por ser quem é.

Quando reconhecemos isso, entendemos que contribuição não tem um só formato.

Às vezes aparece em grandes entregas.

Às vezes surge em gestos mínimos.

Esse lugar é o que, na Relife, chamamos de Conexão Interna — o alinhamento entre razão, emoção, intuição e corpo que revela o que realmente faz sentido, sem precisar provar valor o tempo todo.


Talvez a pergunta não seja:

“Como tornar útil aquilo que parece não ter utilidade?”

Talvez seja:

“Por que seguimos medindo nosso valor por métricas que não falam da nossa essência?”

A busca compulsiva por utilidade aprisiona.

A autenticidade liberta.


Já viveu esse conflito entre se encaixar e ser quem você é?

O que acontece quando você deixa de correr atrás de utilidade e começa a honrar sua essência?

Se quiser, compartilhe nos comentários.

A Relife acredita em conversas que resgatam humanidade — mesmo em um ambiente profissional.

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