15 de julho de 2025

O que alguém de negócios faz em uma especialização de psicologia?

 

Hoje, revisando o capítulo do livro “Perspectivas em Psicologia Transpessoal” que publicará o artigo científico que produzi, me veio à mente uma lembrança inesperada. A voz que ouvi dentro da minha própria cabeça no primeiro módulo da pós-graduação:

“O que alguém de negócios está fazendo em uma especialização de psicologia?”

A verdade é que essa pergunta não vinha só de fora. Eu mesmo não sabia exatamente o que buscava ali.

Na época, eu já tinha conquistado o que muitos considerariam sucesso profissional. Atuei como diretor em startups nas áreas de produtos, marketing e comercial. Tinha reconhecimento, estabilidade e bons resultados. Mas dentro de mim, algo dizia que aquele não era o caminho que me realizaria.

Esse “click” começou em um processo de autoconhecimento e abertura espiritual. Mas levou anos até que eu tivesse coragem de agir. De abrir mão da posição que havia conquistado — uma posição que não conversava mais com quem eu estava me tornando.

Foi o meu corpo que me parou. O estresse virou sintomas físicos. Pedras nos rins. Um início de burnout. Até que ficou impossível ignorar: ou eu mudava, ou adoecia de vez.

E, mesmo sem clareza do que exatamente queria, tomei uma decisão: eu precisava de um tempo.

Finalizei projetos, vendi ou doei tudo o que não era essencial, reformei um trailer e parti. Eu, minha companheira e o Bigode (nosso cachorro). Foram dez meses de estrada, atravessando mais de cinco países. Uma viagem para fora que, na verdade, era um mergulho para dentro.

E é curioso como a vida se move em espiral. Meses depois, lá estava eu — sentado na minha primeira aula da especialização em Psicologia — ainda sem saber ao certo o que buscava ali. Só havia uma certeza: eu queria entender sobre pessoas, não apenas sobre negócios. Talvez essa fosse a justificativa racional para uma decisão intuitiva. Mas, no fundo, eu sabia que aquele era o próximo passo.

Dois anos se passaram. Mergulhei em práticas psicológicas e espirituais e comecei a perceber como elas reverberavam nos negócios. Aos poucos, aquilo que hoje é a base metodológica da Relife foi tomando forma.

E quando chegou a hora de concluir a especialização, minha escolha foi natural: um estudo de caso. Apliquei minha metodologia em 15 empreendedores, avaliando como o desenvolvimento humano poderia impactar diretamente sua jornada profissional e empresarial.

Hoje, ao receber para revisão o capítulo do livro que publicará esse estudo, percebi o quanto a trajetória faz sentido, olhando para trás. Mas no início, não havia lógica clara. Havia apenas um chamado interno, uma intuição, uma sincronicidade que apontava para um lado.

Talvez essa reflexão sirva para você que está esperando o “porquê” aparecer antes de começar. Nem sempre a vida é lógica como gostaríamos. Às vezes, as grandes transformações começam como um passo de fé.

Confie mais no sentir. O caminho se constrói caminhando.

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